Transporte Público: A batalha diária.

Achei oportuno compartilhar com vocês a publicação do nosso Deputado Estadual Tadeu Veneri, feito através do facebook, para refletirmos o atual modelo de locomoção. E como alguns me conhecem adoro refletir dando exemplos da minha vivência, então lá vai um pouco da minha experiência com o transporte público e minha opinião.

A publicação foi a seguinte: "Será q apenas por 1 dia, livre escolha de horário e dia, todos servidores públicos( Leg/Ex/Jud) de 1º escalão usassem ônibus as coisas mudariam?" Tadeu Veneri.

Durante minha infância e adolescência estudei em colégios próximos a minha casa, E. M. Jucelino K. de Oliveira e C. E. Júlio Szymanski, ambos em Araucária, logo não precisei utilizar os serviços do transporte público. Como consegui uma bolsa para fazer minha faculdade em Curitiba, tive a oportunidade e a obrigação de experimentar as aventuras que um ônibus pode nos proporcionar. Minha mãe não possuía condições de bancar uma Van para o meu transporte, então precisei aprender a usar o transporte coletivo, sozinha. Foram cinco anos de segunda a sexta pegando ônibus lotado, levando 2 horas e meia para ir e 1 hora e meia para voltar, pois não dependemos apenas de ônibus, dependemos também dos horários e da super lotação (sei bem que há pessoas que utilizam desse serviço precário uma vida toda de trabalho, e isso não me agrada, não pelo fato de utilizar o serviço público, mas pelas más condições do que é prestado à comunidade). Na ida, de  50 minutos a 1 hora para chegar até o terminal do portão, ao chegar precisava esperar passar 3 ônibus articulados para embarcar e ainda íamos todos esmagados. Entre essas idas e esperas, levava em torno de 2 horas e meia para chegar até o destino. Já na volta era mais tranquilo, mas, mesmo assim, da faculdade até o terminal do portão a situação não foi diferente.
Com o tempo fui pegando aulas em várias escolas (cheguei a pegar 4 escolas, conheço professores guerreiros que pegam mais de 5 escolas por necessidade e utilizam o transporte público para ir trabalhar), e senti a necessidade de comprar um carro, não aguentava mais a situação de depender dos horários das empresas e a super lotação, além de que, alguns horários dos colégios não batiam com outros, várias vezes tive que ir trabalhar sem almoçar.
É claro que a faculdade oportunizou melhores condições de renda e consegui comprar um carro (Um ká 2004, não é grande coisa, mas é meu e me ajudou e ajuda muito na correria do dia-a dia, prezo pela minha qualidade mental e espiritual, e não pelo luxo), sei bem que muitos não tem condições de apropriar-se de um carro ou moto para evitar o desgaste de todos os dias, e isso me entristece, visto que essa situação nos leva a uma faca de dois gumes. Aqueles que conseguem, como eu, um meio de transporte próprio para melhores condições, contribuem para o desgaste ambiental, e isso é um problema, e outros que não conseguem ter a mesma oportunidade que tive (fugir dessa loucura, que é o transporte público) continuam com as aflições diárias, super lotação, demora, abuso mental e sexual, e isso é um problema grave!
Precisamos de políticas públicas que pensam no cidadão comum, que ajudem-o e não façam-o adoecer. Ficar jogando palavras ao vento para que faça-se o desuso dos carros, sem ao menos repensar o nosso modelo de transporte ou infraestrutura, é muito fácil.
Em Araucária, sofremos com os aclives (subidas) e declives (decidas) constantes, não temos uma estrutura boa para os ciclistas (vejo todos os dias os riscos e perigos que os mesmos correm), o transporte público é precário, tanto dentro da cidade, quanto as integrações. Então, antes de pedir para os cidadãos mudarem suas atitudes, devemos lutar pela mudança do nosso sistema político, colocar pessoas que saibam o que é pegar um ônibus, que saibam dos verdadeiros riscos de pedalar em Araucária, e que lutem por essas mudanças.
Sou a favor do uso de bicicleta, sou a favor do combate a compra de veículos, mas não posso ser hipócrita e pedir para que o cidadão pare de utilizar carro ou moto sem ao menos termos condições para que isso aconteça (e ainda continuar utilizando o meu carrinho, enquanto você enfrenta a precariedade do transporte público, ou corre o risco de ser atropelado com a sua bicicleta).
Precisamos de uma política de transporte seguro, ecológico e de qualidade com urgência, mas isso não se faz sozinho, e sim em comunidade.

Referente aos servidores públicos do legislativo, executivo e judiciário que não utilizam o transporte público:    Não deveriam ter essa experiência apenas por 1 dia e sim por 1 mês (no mínimo), ir ao trabalho de ônibus e voltar de ônibus nos horários de grande movimento. Então, quem sabe, não mudariam a nossa triste realidade...

Um abraço a todos.

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