Educação pública: A culpa é de quem?


Ao conversar hoje pela manhã com minha prima perguntei à ela: Como foi sua volta às aulas? (Ela está no terceiro ano do Ensino Médio, já deveria ter concluído, mas como houve a greve o ano letivo de 2015, será concluído no dia 19/02/2016) Disse que foi tudo bem, mas ficou triste com a ação de sua “Professora” de Artes, pois ao ser questionada sobre qual profissão gostaria de seguir, foi humilhada por responder medicina. A professora, com repulsa, sentiu-se no direito de lembrar a sua aluna que ela não tem condições de fazer medicina, pois é estudante de escola pública e não tem capacidade para tal profissão, diferente do sobrinho dela que estuda no Medianeira, ele sim tem condições de passar num curso como medicina, por ter estudado em colégio particular. Minha prima, ofendida, respondeu educadamente a professora afirmando que mesmo tendo estudado a vida inteira em escola pública, conseguiu ½ bolsa para biomedicina e fisioterapia, e acreditava que não lhe faltaria muito para conquistar medicina, a professora, espantada, olhou-a e questionou, "Você conseguiu passar em fisioterapia e biomedicina?"

Sou professora e tento ao máximo ajudar e incentivar meus alunos para escolherem um bom ofício, alerto das dificuldades que encontrarão no caminho, mas sempre digo que nada é impossível.
A educação é uma construção mútua, que não depende apenas do Estado, do aluno ou do professor, e sim da união de todos, a professora ao rebaixar a sua aluna está rebaixando o seu próprio trabalho. Então ela não é capaz de formar um cidadão para exercer o ofício da medicina?
Sabemos da dificuldade de se formar um cidadão, dado as condições de trabalho dos professores, infraestrutura, e mudança de valores nas famílias, mas somos parte da base da construção dos nossos alunos e não podemos deixar de incentivá-los por mais difícil que será a sua caminhada. Temos papel fundamental no incentivo à profissão desses jovens, e sinto vergonha ao me deparar com ações como dessa professora.

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